Nós, mineiros, temos diversas características às quais não abrimos mão: acolhedores, desconfiados, tradicionais, bons de conversa e intermediadores. De tanto pensar no bem comum, muitas vezes, nos esquecemos de nós mesmos. Pois, pelo menos na política, já está na hora deixarmos um pouco de lado os outros e pensarmos em nós.
É o exemplo dos mineiros no Congresso. Temos a segunda maior bancada da Câmara dos Deputados e, mesmo assim, não conseguimos, nos últimos anos, grandes investimentos necessários para o Estado. Ao que parece, os deputados federias ainda se mostram mais preocupados em atender às suas bases eleitorais do que lutar para obterem recursos que vão beneficiar todos os mineiros.
Aliás, isso é fruto de uma polarização nacional, nascida em São Paulo, que acabou contaminando Minas, onde PT e PSDB nem eram tão rivais assim.
Na hora de garantir recursos para o seu Estado, os parlamentares paulistas, mesmo rivais, se usem. Os mineiros, não. Mantemos a rivalidade das disputas locais e, sem apoio maciço, acabamos perdendo recursos.
A reunião dos deputados, senadores e o governador de Minas Gerais, em Brasília, ocorrida na última semana, pode ser o início de uma nova proposta - de um grupo realmente preocupado em garantir que o segundo Estado mais populoso do país seja contemplado com a quantidade de investimentos e recursos que lhe é de direito pelo que gera de receita à União.
Vamos deixar as disputas eleitorais para depois e aproveitar o fato de que Dilma Rousseff parece estar disposta a olhar mais para sua terra natal. Os mineiros, todos, agradecem. (Rafael Gomes)